Síntese de IA com fontes · 3 min · edição 2027
A bike em Venice-Jesolo: 90 km planos onde o vento decide tudo
Volta única, altimetria quase nula e longas retas entre a laguna e os canais: como administrar para não pagar a conta na corrida.
Como é o percurso
Uma única volta de 90 km. As fontes concordam em um ponto: plano, rápido, reto. A Finishers indica cerca de 89 metros de ganho de elevação total, ou seja, praticamente zero. Sai-se de Jesolo, pedala-se entre a paisagem da laguna e o litoral de Cavallino, passa-se a ponte de barcos de Cortellazzo e atravessam-se os canais de Eraclea. O retorno a Jesolo é feito pelas mesmas estradas da ida.
Esse detalhe é o mais importante de toda a etapa: se na ida você voa, é provável que esteja com vento a favor. E na volta esse vento vem de frente, na segunda metade, quando as pernas começam a pesar. O traçado descrito se refere às edições recentes: confira o mapa oficial de 2027 antes de fechar o plano nos detalhes.
O vento é a sua subida
Em um percurso sem subidas não há rampas que quebram o ritmo, mas há o vento. Estamos na costa do Adriático no fim de abril: a primavera ali é instável e o vento é uma possibilidade concreta, não uma exceção. No plano, o vento faz a diferença entre um dia de personal best e um dia de sofrimento.
O erro clássico é este: trecho com vento a favor, velocidade alta, euforia, e a potência sobe acima do alvo "porque está indo rápido mesmo". Depois vem a reta contra o vento e a conta é paga duas vezes: na bike e nos primeiros quilômetros da corrida.
Pacing: potência constante, não velocidade constante
Aqui a regra é uma só: pedale com potência (ou esforço percebido) constante, não com velocidade constante. Com vento a favor, aceite "economizar" e mantenha a potência-alvo mesmo que o velocímetro diga que você poderia apertar mais. Contra o vento, resista à tentação de forçar para defender a média. A média vem sozinha se o esforço for uniforme.
Se você usa medidor de potência, defina um alvo de meia distância que sabe sustentar por 90 km sem comprometer a corrida, e trate-o como um teto nos trechos rápidos. Se vai na percepção, pergunte-se a cada 15 minutos: "eu aguentaria esse esforço por mais duas horas e depois correr?". Se a resposta for não, reduza na hora.
A posição aero é um treino
Em longas retas planas, a posição aerodinâmica mantida por muito tempo vale mais do que qualquer componente. Mas ficar no clip por quase três horas se treina: se no treino você sai da posição a cada dez minutos, na prova fará o mesmo, e cada saída custa segundos e watts.
Daqui até a prova, inclua pedais longos inteiramente na posição aero com potência constante: não há subidas que te deem desculpa para levantar. Trabalhe também pescoço, ombros e core: são eles que cedem primeiro.
O que fazer agora
- Planeje 3-4 pedais longos (2h30'-3h) na posição aero com potência de prova, em percursos planos e, se possível, com vento.
- Faça pelo menos uma simulação com a primeira metade de vento a favor "simulado": segure a potência e veja como responde contra o vento na segunda metade.
- Teste nesses treinos toda a nutrição de prova: no plano se pedala o tempo todo, e comer em aero se treina.
- Decida antes da prova a sua potência-teto e escreva no guidão: no dia da prova a euforia é má conselheira.
Se fizer essas coisas, os 90 km de Jesolo viram o que prometem: uma etapa rápida que te entrega à corrida com as pernas ainda boas.